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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Machado Vampiro...



    Conta Martins Fontes que, certa feita, encontrando-se junto de alguns outros escritores na redação do Jornal do Comércio, Olavo Bilac pediu a palavra e se pôs a recitar O Corvo de Edgar Allan Poe. A sua declamação foi tão intensa e comovente, que Machado de Assis, conhecido entre seus amigos pela personalidade sóbria e comedida, comoveu-se a tal ponto com os versos, que disse ao jovem: 
    “- Não se pode sentir maior prazer. Vou dar-lhe um abraço”. 
    Martins Fontes então redarguiu:
    “- Um abraço é pouco, mestre! Dê-lhe um beijo ardente, abençoador!”.
   Parece que Machado seguiu o conselho do rapaz, pois Bilac, dez minutos depois, veio reclamar com Martins Fontes, dizendo que Machado de Assis tentara lhe dar uma dentada no pescoço!

Para ler mais curiosidades sobre Machado de Assis, leia o livro "Memorial do Bruxo - Conhecendo Machado de Assis", à venda no site Amazon Brasil por um preço promocional. Basta clicar no link abaixo:

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

As Pereiras da China (Conto)



José Antonio Martino   

            Nos tempos do imperador Ling, as pereiras ainda não davam frutos. Todos os anos, quando a primavera vinha espargir pelos campos a misteriosa magia da vida, tudo florescia, menos as pereiras, que não frutificavam nunca. Por isso eram conhecidas como as árvores mais tristes de toda a China.
            O imperador Ling tinha ficado velho e sabia que, em breve, não mais habitaria este mundo. Como não possuía filhos homens, andava muito preocupado em fazer um bom casamento para sua única filha, a princesa Liampi. Pretendentes não faltavam, porque Liampi era a princesa mais bonita de todo o Oriente. Dos mais longínquos reinos, chegavam numerosos presentes e propostas de casamento, que eram sempre recusados pela jovem herdeira ao trono da China. Liampi era amiga da lua e todas as noites esta vinha despejar pétalas de prata sobre o quarto da princesa para lhe embalar o sono.
            Um dia, apresentaram-se no palácio dois jovens dispostos a conquistar o coração de Liampi. Um deles era lavrador e trazia nas mãos uma velha foice enferrujada, antiqüíssima, que ele dizia ter sido presente dos deuses a seus ancestrais, quando Teru, o Senhor das Sementes, ensinou aos homens como cultivar a terra. O outro portava uma espécie de cítara, com a qual acompanhava seus versos. Era poeta e de sua boca saíam as mais lindas palavras que o vento já tinha espalhado pelas tardes de primavera.
            O imperador Ling, vendo que ambos se mostravam honestos e merecedores da mão de sua filha, decidiu que o escolhido seria aquele que realizasse um velho sonho da princesa:
            - Quero que tragam para mim a lua! Disse a jovem.
         Nem bem Liampi terminou o seu pedido e o lavrador se despediu. Partia imediatamente para as altas montanhas do Himalaia, de onde acreditava ser possível alcançar a lua e trazê-la para a princesa. O poeta, por sua vez, reconheceu que tal empreitada estava além de suas possibilidades. Sentou-se no chão e, dedilhando sua cítara, começou a recitar versos tristes, onde dizia da lua malvada e do seu amor não correspondido. Liampi apiedou-se do poeta e, como tinha um grande coração, resolveu tomá-lo como esposo por acreditar que assim acabaria com dor tão profunda.
            Quarenta dias se passaram, quando o lavrador voltou das montanhas do Himalaia. Vinha triste e resignado pelo fracasso que lá sofrera. Quando soube, porém, que a princesa nem ao menos havia esperado que ele retornasse e já estava casada, encheu-se de cólera. Jurou que, se Liampi não fosse feliz ao seu lado, também não seria ao lado de mais ninguém. Após armar-se com sua foice, ele se dirigiu ao palácio do imperador Ling, onde encontrou a princesa nos braços do poeta. Os olhos do lavrador coruscaram em chamas. Nem houve tempo para explicações. Com um único golpe, violento e mortal, ele decepou a cabeça da princesa, que rolou pelas escadas abaixo, e em seguida se matou.
            Pobre imperador Ling! Já velhinho, teve de suportar este último golpe que a vida lhe preparara. Todas as tardes, dirigia-se às margens do rio Amarelo, onde chorava copiosamente aos pés de uma pereira. À sombra daquela árvore triste, Liampi descansava seu sono de princesa. Numa noite sem luar, o velho imperador acudiu ao chamado dos céus e foi viver junto de sua filha nas margens daquele outro rio, derradeiro e eterno, onde os olhos toscos dos homens nada valem.
            Na primavera do ano seguinte, as pereiras de toda a China floresceram e produziram um fruto muito doce e perfumado que, segundo diziam os antigos, representava as belas curvas do corpo de Liampi. E desde então, durante alguns dias por mês, ano após ano, século após século, a lua toma a forma de uma foice, para lembrar aos homens o cruel destino da princesinha chinesa.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Memorial do Bruxo




    Pessoal, já se encontra à venda o livro "Memorial do Bruxo - Conhecendo Machado de Assis". Trata-se de uma excelente biografia a respeito de Machado, escrita numa linguagem muito agradável, de uma maneira bastante simples e didática. Indicada para estudantes e estudiosos em geral, que desejam conhecer um pouco mais sobre a vida e a obra do maior escritor brasileiro do século XIX. O livro apresenta 332 páginas com ilustrações e revela diversas curiosidades e anedotas a respeito do "Bruxo do Cosme Velho". O autor defende tese inédita a respeito do motivo pelo qual Machado de Assis teria mudado radicalmente a sua maneira de escrever e ver o mundo, por volta de 1878, abandonando os moldes românticos da época, para adotar uma posição mais crítica, pessimista e amarga diante dos homens e da vida.

   O livro está sendo vendido no formato e-book  pelo site Amazon por apenas U$ 3,99 no link abaixo:

http://www.amazon.com/Memorial-Bruxo-Conhecendo-Portuguese-ebook/dp/B00AXJZNEQ/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1358677137&sr=8-1&keywords=memorial+do+bruxo


Agradeço toda divulgação!

domingo, 22 de julho de 2012

Visita do Barão do Rio Branco


Um dia antes de falecer, Machado de Assis recebeu a visita do Barão do Rio Branco. O estado de saúde do escritor era crítico, mesmo assim, ao ouvir ser anunciada a presença de pessoa tão ilustre, ele se esforçou tremendamente para se sentar na cama a fim de melhor receber o companheiro de academia. Segundo Francisca de Basto Cordeiro, que também se encontrava presente, a cena gravou-se para sempre em sua memória. Com a face iluminada por um resto de vida, Joaquim Maria estendeu seus braços para receber um abraço fraternal, mas o barão esquivou-se, limitando-se apenas a lhe apertar levemente a mão. Em seguida, muito constrangido, Rio Branco disse algumas palavras breves:

“- Então o que é isto, Machado? Está melhor, não é? Amanhã voltarei a vê-lo...”

Nem esperou pela resposta e retirou-se o mais rápido que pôde, fingindo não ver a cadeira que trouxeram para ele se sentar ao lado do moribundo. Machado de Assis caíra na cama, mortalmente ferido, humilhado, tendo sua sensibilidade sido ofendida de maneira irreparável. O escritor virou-se para a parede e mais nada falou, pois sua alma morrera naquele instante. Para completar a humilhação, todos que se encontravam no quarto ainda puderam ouvir o barão lavando as mãos num tanque que havia ali ao lado, como se temesse pegar alguma doença contagiosa. Do corredor, alguém gritou solícito, procurando ser gentil:

“- Uma toalha limpa para o Barão!”

            E o escritor morreria na madrugada seguinte, desiludido com a vida e com os homens.